Quarteto Fantástico faz história no JUBs

Que o nosso Dream Team do Basquete Masculino é excepcional, ninguém tem dúvidas. Mas a última que esses meninos aprontaram fez muitos profissionais renomados e experientes do basquete irem à loucura em Cuiabá – MT, entre os dias 8 e 12 de novembro, nos 64º Jogos Universitários Brasileiros (JUBs 2016).

Após ganharem a série B do JUBs em 2015, o time geral da UFRJ classificou-se, juntamente com a UFRGS, para a série A da competição. E a equipe honrou a classificação brilhantemente. O quarteto da Engenharia UFRJ formado por  Bernardo Spindola (Bezão), Gabriel Fiuza, Luiz Felipe Bretas Rozo (Casinha) e João Gabriel Carneiro simplesmente foi além e ajudou a equipe de basquete masculino geral da UFRJ a derrubar qualquer mito sobre o rendimento das faculdades federais em campeonatos esportivos a nível nacional.

Equipe Geral de Basquete Masculino da UFRJ no 64º JUBs

Fase de Grupos

No primeiro jogo, contra UNIFOR – CE, o time jogou bem para abrir a competição, chegando a estar 13/11 pontos à frente do adversário, que foi vice campeão da modalidade em 2015. Entretanto, a vitória – por 18 pontos – no primeiro jogo trouxe também a baixa inesperada do ala Rodrigo Furtado, causada por uma fratura no pé do estudante de Medicina.

Apesar do ocorrido, o time foi com toda garra para cima do segundo, e mais forte, adversário do grupo: CEUB-DF. Time esse em que boa parte dos atletas integra a equipe principal do CEUB-Brasília, participante da liga oficial de basquete brasileiro, o NBB (Novo Basquete Brasil). Segundo o ala Casinha, a altura do time de Brasília, o qual 3 atletas tinham 2,10m, foi um fator a se considerar na partida. Bezão reafirma a opinião do companheiro de equipe “Nosso maior jogador tinha 1,98m. Tínhamos que nos desdobrar muito na parte defensiva, principalmente com o rebote”. Apesar de todo o esforço do time, que chegou a contar com uma distância de 4 pontos ao final do 4º quarto, o jogo terminou com derrota do time da UFRJ por 10 pontos por conta das faltas e lances livres.

No último jogo da fase de grupos enfrentamos a UNINASSAU-PE, atual campeã da LDU – Liga de Desporto Universitário. A altura do time adversário não fez com que nossa equipe se abalasse. Uma mudança na estratégia da defesa fez com que o placar, antes desfavorável, se invertesse no 4º quarto. Com muita garra, força e competência, ganhamos a terceira partida por 56×50, que ainda teve como cestinha nosso grande Bezão com 18 pontos.

O ala Bezão foi destaque do time em Cuiabá

Semifinal inédita

No jogo mais emocionante de todos, a semifinal, o time da UFRJ enfrentou a UNIP-SP, considerada a melhor equipe, e que veio a se consagrar vencedora do campeonato. A UFRJ começou na frente, vencendo os dois períodos do 1º tempo: 10 a 16 e 19 a 21. No 3º período, a UNIP-SP reagiu, empatou e virou o jogo. Foram 20 pontos da equipe paulista contra 10 da carioca. No 4º e último período, a disputa ferveu. Em um incrível “toma lá, dá cá”, a liderança da partida alternava-se o tempo todo e a disputa foi ponto por ponto. Ao final, a pontuação do período foi 21 a 16, com vantagem para a UNIP/SP, e o placar fechou em 70 a 63, colocando o time da UFRJ na disputa pela medalha de bronze. O cestinha do jogo foi, novamente, nosso Engenheiro Químico Bezão, capitão e camisa 02 da UFRJ, com incríveis 24 pontos!

Vale ressaltar que o técnico da equipe de São Paulo é nada mais nada menos que Gustavinho, assistente técnico da seleção brasileira e atual técnico do Paulistano. Para o estudante de Engenharia Naval e Oceânica, Casinha, a equipe surpreendeu o adversário:

“No final deixamos cair um pouco o ritmo, tanto pela qualidade técnica da UNIP quanto pelo fato de não estarmos mais jogando tanto basquete. Mas o mais interessante foi ver Gustavinho desesperado conosco, com a mão na cabeça e quebrando cadeira no ginásio.”

Disputa do 3º lugar

Após a derrota para a grande equipe da UNIP, o time da UFRJ enfrentou a UNOESC-SC em jogo duro. A vantagem da equipe carioca foi prejudicada pela quadra escorregadia, que atrapalhou em alguns momentos decisivos. Faltando 6 segundos o time de SC fez uma cesta que levou a partida à prorrogação, a qual perdemos. “No final a equipe já estava bem cansada. E nesse nível quando a gente não consegue matar o jogo, o adversário vai lá e mata.” Pontuou Bezão.

Basquete Masculino da UFRJ faz história no cenário nacional

Com o 4º lugar do campeonato, a UFRJ chega em um patamar nunca antes atingido em toda história dos Jogos Universitários Brasileiros. Foi a única faculdade federal a estar presente na semifinal do campeonato, além de ser a única a permanecer na 1ª divisão da competição. É de se comemorar e muito o resultado obtido em Cuiabá pois, apesar de todas as dificuldades enfrentadas de infraestrutura, rotina acadêmica e disparidade técnica, o time mereceu estar ali. Durante a competição muitos times se curvaram diante da equipe da UFRJ, elogios foram recebidos e houve ainda quem admitisse que o time foi o adversário mais difícil da competição.

Sobre o sentimento ao final do campeonato, o cestinha de três jogos, Bezão, comentou: “Fomos ganhando respeito ao longo da competição. Nenhum jogo vendemos fácil. Todas as nossas derrotas foram ali no finalzinho, no detalhe mesmo. Apesar do gostinho da medalha, saímos de Cuiabá com a sensação de dever cumprido, mostramos o nosso valor. As pessoas passaram a respeitar mais um time de Universidade Federal.”

Para o  armador e estudante de Engenharia Elétrica, João Gabriel, o resultado inédito motiva o time a continuar na briga por uma medalha ano que vem:

“Enfrentamos somente equipes de altíssimo nível técnico e tático. Nosso time jogou de igual pra igual contra qualquer outra equipe, fizemos uma apresentação primorosa, classificando para semifinal. Fomos a única universidade federal a se manter na primeira divisão dentro de todas as modalidades. Ano que vem o objetivo é estar lá de novo!”

João Gabriel no jogo contra forte equipe da UNIP

O estudante de Engenharia Química, Gabriel Fiuza, destaca ainda a qualidade dos jogos realizados em Cuiabá, apesar da realidade dos jogadores:

“Éramos um time de vários aposentados: Eu sem jogar há 2 anos, Casinha há 5… Então o fato de termos recebido o reconhecimento do pessoal, dizendo que representamos todas as faculdades federais, elogiando nossa defesa e ainda nos colocando como o time mais difícil do campeonato foi, sem dúvidas, muito gratificante. No final das contas a experiência fez com que conseguíssemos mostrar para todo mundo nosso basquete. Jogamos muita bola.”

O feito do time abre espaço para uma importante discussão sobre esporte e ensino superior no nosso país. Sabe-se que grande parte dos times presentes no JUBs são de faculdades particulares e possuem atletas profissionais bolsistas em suas equipes, sendo muitos deles poupados dos estudos muitas das vezes. Realidade essa bem distante para um aluno da melhor federal do Brasil. Dos 8 times presentes na primeira divisão, 6 eram de faculdades particulares, com “times montados” segundo o experiente ala Bezão :

“É uma outra realidade. Essas universidades buscam atletas de clubes profissionais para representá-las. Treinam todos os dias, alguns em até 2 turnos por dia. Enquanto que nós mal conseguimos reunir o time 2 vezes por semana devido a provas, trabalho, estágio… Nosso ritmo de jogo é consideravelmente menor que o deles.”

Representar a Engenharia UFRJ

Treinar e competir pela equipe geral de basquete da UFRJ beneficia e muito a equipe da Engenharia. Dado o nível das equipes e competições que o time joga. Casinha avalia a participação do time no JUBs positivamente:

“O basquete do time geral ajuda a gente a manter o ritmo, ter um maior contato com a bola. Por se tratar de um outro patamar, os atletas em sua maioria estão todos na ativa. Estamos falando de times profissionais, que chegam a treinar 5-6 vezes por semana além de contar com toda uma estrutura e equipe multidisciplinar. Foi possível perceber que estamos mantendo um bom nível de jogo, apesar de já termos parado de jogar profissionalmente há um tempo.”

O ala armador, Fiuza, reafirma a importância do time geral na preparação do time da Engenharia:

” É muito bom voltar a ter contato com basquete de alto nível. Ficando restrito apenas a campeonatos da Atlética ou estaduais acaba que jogamos sempre contra as mesmas equipes, as quais seus atletas já pararam de jogar há um tempo também. Então ter a oportunidade de jogar contra atletas atuais, que ainda estão em atividade, é a parte mais interessante. Praticamente os 4 titulares do geral são da Engenharia, então isso ajuda consideravelmente. Uma experiência boa no geral certamente contribui para nosso desempenho pelo time da Atlética. “

Estudante de Engenharia Química, Fiuza destaca importância do time geral

A próxima edição do JUBs será realizada em Goiâna/GO, em data a definir. O recado já foi dado e nosso quarteto aguarda ansiosamente para surpreender novamente e, quem sabe, beliscar a tão sonhada medalha.


Fica aqui o reconhecimento da AAAEP pelo feito histórico dos atletas, e estudantes, da equipe geral da UFRJ. A AAAEP se orgulha imensamente de ter os atletas da Engenharia UFRJ fazendo parte disso. Parabéns a todo time geral da UFRJ e, em especial, aos ídolos da Cachorrada do Fundão: Bezão, Fiuza, Casinha e João Gabriel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *